Nesta quinta-feira (24), foi realizada a primeira da série de entrevistas promovida pela APMPA com os candidatos à prefeitura de Porto Alegre. Os encontros estão sendo marcados de acordo com a disponibilidade de agenda dos candidatos. José Fortunati (PTB) respondeu a questões elaboradas pela entidade e por associados, em um bate-papo conduzido pelo presidente da associação, Cesar Emílio Sulzbach, e acompanhado via Zoom. Estiveram presentes na sede da entidade os procuradores municipais de Porto Alegre Armando DominguesCristiane da Costa Nery e Elói Guimarães.

Confira algumas respostas de Fortunati a indagações relativas a temas como educação, saúde e serviço público.

 

Educação

Na educação, o impacto (da pandemia), especialmente sobre as escolas públicas, chega a ser devastador, porque grande parte dos alunos das escolas públicas sequer tem internet em casa. Por mais que os professores estejam se esforçando para manter contato com os alunos, nós sabemos como isso é extremamente limitado. Isso vai trazer um rescaldo muito preocupante. Há dias atrás, participando de um debate na Fundação Lemann, um dos pesquisadores trouxe um dado que me deixou alarmado. Na Turquia, houve um terremoto e um terço da Turquia foi afetada. Neste um terço, os alunos ficaram sem aulas por quatro meses. O restante teve aula normalmente. Quatro meses depois, os alunos afetados retornaram às aulas. Matematicamente, poderíamos pensar que teriam que recuperar quatro meses de aulas desses alunos. Na verdade, não é isso. A Unesco mandou uma equipe para a Turquia, para acompanhar a recuperação das aulas, e a conclusão que os especialistas de educação chegaram é que a defasagem entre os alunos que pararam quatro meses e os que continuaram com suas aulas normalmente foi uma defasagem de um ano e meio na relação ensino/aprendizagem. Porque a conta não é matemática, não é simplesmente retornar às aulas. Nós estamos há sete meses, iremos a oito meses. O próximo ano letivo será diferente. Teremos que começar com acolhimento, criando condições para que alunos, professores, comunidade escolar voltem a se integrar com a escola para, depois, termos realmente uma visão pedagógica adequada para recuperarmos gradativamente o que foi perdido.

 

Saúde e desenvolvimento 

Na área da saúde, não falamos apenas dos malefícios causados pela Covid, sequelas, mortes, e o fato de outras doenças terem acabado ficando de lado. Aumentou número de pessoas depressivas, com problemas e doenças mentais. Mas há ainda uma outra consequência, que vai atingir em cheio a saúde pública: com a pandemia, muitas famílias que tinham convênio não conseguem mais pagar essas mensalidades e vão migrar para o Sistema Único de Saúde. Teremos cada vez mais uma sobrecarga por migração dos convênios para o SUS. Teremos que pensar como vamos retomar o desenvolvimento da cidade na assistência social, no trabalho. Não tenho dúvida de que uma das primeiras coisas que teremos que fazer é incentivarmos que as pessoas sejam empreendedoras. O micro e pequeno empreendedor terão que ter sua criação facilitada na questão burocrática. Teremos que criar microcrédito e já estamos discutindo com algumas instituições nacionais e internacionais para a concessão desse microcrédito. Não adianta pegar alguém que está desempregado e dizer “vá empreender”. Ele pode ter boas ideias, mas se não tiver recursos iniciais para os investimentos, certamente, não irá avançar. Ou seja, teremos que, de forma muito clara, dialogar com a cidade. Se eu for eleito, com toda certeza, dia 30 de novembro, já estarei procurando as entidades, sejam associações de moradores, entidades classistas, entidades sindicais, entidades de empresários. Entidades das mais diversas. Porque precisamos dialogar com a cidade como um todo, para buscarmos soluções as mais emergenciais possíveis.

 

Servidores do Município

É preciso respeito com o servidor, reconhecimento que o servidor público é insubstituível e tem um papel estratégico nas políticas públicas da nossa cidade. Ao longo da minha vida pública, sempre defendi o serviço público. E não defendo o servidor público simplesmente por ser vinculado a uma esfera do governo. Eu defendo o serviço público. Sempre defendi o serviço público ao longo da minha existência. Mesmo nos momentos mais dramáticos, onde grande parte da imprensa muitas vezes vinha com muita força atacar o servidor público, nunca vacilei. Se não tivermos um bom servidor público, não temos um bom serviço público como decorrência. Uma coisa puxa a outra. Então, ao longo dos sete anos, sempre tive relação aberta e propositiva com sindicatos. Nos próximos quatro anos, se eleito for, continuarei com a mesma disposição, valorizando o serviço público, valorizando o servidor público, para que a gente possa recuperar a cidade, recuperar muitos serviços que estão sendo abandonados não por culpa dos servidores, mas por culpa da atual gestão, que simplesmente desconhece uma série de coisas, desconhece que os servidores continuam trabalhando de forma bastante otimizada. Aliás, a tônica hoje da atual gestão é terceirização, tentativa de privatizar serviços, como se isso, num passe de mágica, fosse melhorar. Nós sabemos que o servidor público é fundamental.

 

Teletrabalho na administração pública

Se essa pergunta me fosse feita há seis ou sete anos, eu diria que teria uma certa reserva. Mas isso mudou totalmente. Os novos tempos, as novas tecnologias, eram inacessíveis. A tecnologia avançou muito para nos auxiliar. Hoje, é possível medir produtividade no teletrabalho, existem mecanismos, não tem aquela preocupação que o indivíduo, o profissional, se afasta do local de trabalho e deixa de trabalhar. E pelo que sei, dados da Procuradoria do Município mostram que a produtividade acabou aumentando. E não é só em relação à Procuradoria, mas tantas outras atividades possíveis de teletrabalho receberão todo esforço, porque são menos pessoas se deslocando pela cidade, menos pessoas tumultuando o trânsito. Elas perderão menos tempo, poderão se dedicar à família e a outras coisas, estarão menos cansados para desenvolver suas atividades. Representa menos custos para a prefeitura.

 

Previdência dos servidores municipais 

Porto Alegre tem avançado de forma cotidiana até tempos atrás na questão do Previmpa. Agora, está se tentando fazer mudanças que nós não concordamos. Se existem aperfeiçoamentos, eles têm que ser feitos, e todo modelo precisa aperfeiçoamento. Mas faremos isso com tranquilidade e com ampla discussão com as entidades. Não de forma imposta ou atropelada.