As duas cores principais da bandeira do Brasil – verde e amarelo –, além do dourado, marcam o alerta para campanhas de conscientização que ocorrem no mês de setembro: doação de órgãos, suicídio e câncer infantil.

Associar os temas de saúde a cores e meses é uma estratégia para divulgar informações para a população, especialmente de prevenção, em relação a problemas que atingem grandes grupos da sociedade.

A APMPA apoia estas campanhas e traz aqui informações sobre os três temas de setembro.

 

SETEMBRO VERDE

Busca promover a conscientização sobre a doação de órgãos, reunindo esforços do Ministério da Saúde, das secretarias estaduais e municipais e de diversas ONGs que trabalham para divulgar a causa. No Brasil, as filas de espera por transplante são longas, e o número de doações é muito inferior à demanda. Com a pandemia, houve uma queda na realização de cirurgias de transplante no Rio Grande do Sul.

De janeiro a julho deste ano, o Estado realizou 334 transplantes de órgãos, um número inferior aos sete primeiros meses de 2019, quando foram realizados 406 transplantes.

Em julho deste ano, foram 20 transplantes – contra 52 no ano passado – sendo que a Central de Transplantes contabilizava 1.480 pessoas na lista de espera por um doador.

COMO DOAR: o passo mais importante é avisar a família que você é doador, para que o procedimento de retirada de órgãos seja autorizado pelos familiares em caso de morte cerebral. De janeiro a julho deste ano, 81 famílias foram contrárias à doação ao serem abordadas diante do falecimento de um familiar. O principal motivo alegado foi que o paciente não havia se manifestado em vida sobre ser um doador. A lei federal prevê autorização expressa da família para o procedimento, mesmo que exista registro em vida indicando a doação. Não há impeditivo de idade, tipo sanguíneo, gênero ou raça para doar.

 

SETEMBRO AMARELO

Desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM, organiza nacionalmente o Setembro Amarelo. São registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos no Brasil e mais de 1 milhão no mundo. Trata-se de uma triste realidade, que registra cada vez mais casos, principalmente entre os jovens. Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias.

De acordo com os dados oficiais da Secretaria Estadual da Saúde, não existem evidências que apontem um aumento de casos de suicídio ou tentativas de suicídio este ano, que poderiam estar direta ou indiretamente relacionados à pandemia da Covid-19 e ao distanciamento social.  No entanto, levantamento realizado pela secretaria com gestores municipais gaúchos indica um aumento na procura de atendimento de pacientes com sintomas leves de saúde mental. Ansiedade, insônia, tensão, sintomas leves de depressão foram apontados na pesquisa.

A Abp preparou uma cartilha sobre prevenção ao suicídio que pode ser acessada neste link.

 

SETEMBRO DOURADO

Busca alertar profissionais da saúde, pais, educadores e sociedade em geral sobre a importância de se atentar aos sinais e sintomas sugestivos do câncer infantojuvenil, contribuindo com a sua detecção e tratamento precoces.

No Brasil, o câncer já representa a primeira causa de morte (8% do total) por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Nas últimas quatro décadas, o progresso no tratamento da doença foi significativo: hoje, em torno de 80% das crianças e adolescentes com câncer podem ser curados, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados.

O câncer infantil corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. Os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias, os linfomas e os tumores no sistema nervoso central. Em crianças pequenas o retinoblastoma (tumor maligno ocular), o neuroblastoma (tumor no sistema nervoso periférico) e tumores nos rins são mais prevalentes, enquanto que em crianças maiores, cânceres nos ossos são mais comuns.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, os sinais de alerta mais comuns são leucocorias (reflexos brancos na pupila), estrabismo, aumento repentino de alguma região do corpo, hematomas não associados a traumatismos, dores persistentes em ossos, articulações e costas e fraturas sem traumas, além da puberdade precoce e de dores de cabeça, comprometimento de atividades motoras, alterações comportamentais, entre outros.