“É um ouro líquido, precioso porque salva vidas”. Assim, a nutricionista Fernanda Santos Conde, do setor de nutrição do Hospital Materno  Infantil Presidente Vargas (HMIPV), resume a importância do leite humano para bebês. O Agosto Dourado, mês de incentivo ao aleitamento materno, costuma ser uma das datas em que o Banco de Leite do hospital mais conquista novas doadoras. Mas, durante a pandemia, essa ajuda vem caindo. Fernanda explica que duas datas são importantes para as campanhas e ações de incentivo realizadas pelo hospital: o 19 de maio, Dia Nacional de Doação de Leite Humano, e o mês de agosto. Neste ano, ambas estão em meio às recomendações de distanciamento social, fazendo com que o estoque do Banco, que costuma girar entre 30 e 40 litros, esteja em 17 litros. A quantidade é insuficiente para a atender a demanda. “Usamos o leite prioritariamente para a UTI neonatal e, se possível, conforme o estoque, oferecemos para outros bebês internados”, explica a nutricionista. 

Em Porto Alegre, a equipe do Banco de Leite do HMIPV busca as doações na casa das doadoras. Já quem mora fora da Capital precisa ir até o hospital para doar. Nestes casos, agendamentos estão sendo realizados para evitar que haja espera. Fernanda ressalta que os cuidados para coleta domiciliar, rígidos já antes da pandemia, foram redobrados. “Hoje, em razão da pandemia, o cadastramento é feito por telefone. Antes, fazíamos uma primeira visita na casa das doadoras para verificar as instalações, mas agora pedimos fotos por e-mail ou WhatsApp do que precisa ser checado, como exames ou freezer”, comenta. Outra alteração diz respeito à coleta. A equipe recebe o material sem entrar na residência e está sempre protegida por máscara, luvas, touca e jaleco descartável. “O contato é mínimo”, detalha. Outra medida extra de segurança diz respeito ao transporte do leite. Antes da pandemia, os vidros com o material eram higienizados e colocados em uma caixa térmica. Agora, eles vão para a caixa térmica com controle de temperatura, mas são protegidos por um saco plástico na entrega do leite. Após retirado o saco, ocorre a higienização com álcool 70%. 

“Estamos na primeira semana de agosto, que é a Semana Mundial de Aleitamento Materno, e o tema deste ano é “Apoie o Aleitamento Materno por um Planeta Saudável”, comenta a nutricionista do Presidente Vargas, ressaltando que o leite humano deve ser oferecido de forma exclusiva até o sexto mês da criança e continuado até os dois anos ou mais. O nome “Agosto Dourado”, explica ela, vem daí: “Porque é o padrão ouro na alimentação infantil”. O hospital disponibiliza o telefone (51) 3289-3334 para quem tem interesse em informações sobre como doar. O mesmo número pode ser utilizado por quem tem dúvidas a respeito da amamentação. “Se pudermos auxiliar por telefone, vamos ajudar”, comenta Fernanda. O atendimento ocorre das 8h às 17h, de segunda a sexta-feira.

A UTI neonatal do HMIPV tem 10 leitos, todos ocupados. A instituição conta, ainda, com 20 vagas na Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) – 12 delas ocupadas atualmente. Podem doar, mães que estão amamentando, com excesso diário de leite (no mínimo em torno de 50ml), clinicamente saudáveis. Administrado pela Secretaria Municipal de Saúde, o HMIPV atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e é referência para todo o Estado em pré-natais de alto risco. Casos nos quais o leite humano é fundamental na luta pela sobrevivência dos bebês. O Banco de Leite do hospital tem capacidade para processar até 100 litros de leite humano por mês.

 

COMO DOAR

Se estiver amamentando, com excesso diário de leite, basta entrar em contato com o Banco de Leite Humano, que fica na Avenida Independência, 661, esquina com a Rua Garibaldi, telefone (51) 3289-3334. Serão confirmados os critérios de doação, como exames de saúde e informações do pré-natal, e repassadas orientações iniciais para esgotar as mamas e armazenar o leite com segurança. Durante a pandemia de coronavírus, a doadora residente em Porto Alegre não precisa se dirigir ao Banco de Leite nem mesmo para preenchimento de cadastro ou para a primeira doação.

A qualidade do leite recebido é analisada e, posteriormente, o material é pasteurizado para consumo. “O aleitamento materno traz benefícios para mães e bebês. Para as mulheres, há diminuição de risco de câncer de mama e ovário, entre outros. Para a criança, há diminuição de alergias alimentares, melhor absorção de proteínas, além de trabalhos que mostram melhoras na questão do desenvolvimento intelectual”, comenta a nutricionista.